Se você está começando no mundo da tradução ou se já tem experiência, mas quer sair da caixa, recomendo firmemente escrever um blog.
Criei o meu em janeiro de 2013. Naquela época, estava
cursando uma pós em tradução, depois de me formar em letras espanhol e queria
mergulhar de cabeça nesse mundo da tradução, que tanto me atraía.
Já estava trabalhando na área, como tradutora com carteira
assinada (pasmem!), numa empresa de tecnologia, mas estava em busca de novos
desafios. Queria trabalhar como autônoma para agências de tradução e editoras,
traduzir outros tipos de textos, aprender a usar ferramentas, manter uma rede
de contatos profissionais… Estava muito empolgada e cheia de expectativas, foi então
que tive a ideia de criar um blog.
Era uma forma de desenvolver minha escrita, dominar as
normas gramaticais, melhorar o estilo e ampliar o vocabulário, habilidades
fundamentais para qualquer profissional do texto. Além disso, tinha muita sede
de conhecimento, muita curiosidade sobre tudo que estivesse relacionado à
tradução: cultura, teoria da tradução, gramática e estilo, ferramentas,
literatura, e afins.
Escrever um blog seria uma oportunidade de colocar as mãos
na massa, estudar e pesquisar de uma forma mais divertida e autodidata. Eu
queria encontrar minha voz, meu estilo, divulgar meu trabalho, atrair
oportunidades.
Foi assim que comecei a levantar alguns assuntos que queria
abordar. Buscava informação, fazia uma triagem, escrevia uns esboços, lia e
relia, escrevia e reescrevia, e finalmente, publicava (sempre com um friozinho
na barriga). Convidava alguns amigos, familiares e colegas de profissão a lerem
e emitirem suas opiniões sinceras, pois eu queria muito melhorar e precisava desse
feedback.
Quando começaram a chegar os primeiros comentários e os
primeiros seguidores, foi aquela alegria! Uma injeção de ânimo para escrever
cada vez mais e melhor. Entrei em contato com alguns tradutores profissionais
solicitando uma entrevista por escrito. Conheci pessoas incríveis, extremamente
solidárias e generosas, que me ajudaram sem qualquer interesse.
Já se vão mais de treze anos desde a primeira publicação, e
hoje olho para trás com saudades daquela novata curiosa e pertinaz, que não deixava
o ânimo esmorecer diante das dificuldades, e busco inspiração em minha versão
antiga para manter a chama sempre acesa.
Entre as conquistas que obtive através de meu blog, posso
mencionar: a oportunidade de realizar minha primeira tradução literária; a
ampliação da minha rede de contatos e amigos; o aperfeiçoamento da escrita e do
estilo; o aprendizado e o desenvolvimento pessoal; a reflexão sobre o ofício e,
finalmente, a diversão. Sim, porque falar do que gostamos não deve ser encarado
nunca como uma obrigação, senão perde a graça. Neste exato momento em que estou
escrevendo, sinto-me realizada relembrando como tudo aconteceu e me sinto
protagonista de uma dessas histórias que gostamos de ler e traduzir.
Em poucas palavras: um blog serve como portfólio de seu
trabalho, reflexo de sua alma e registro de sua jornada.
Experimente!







